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Nos Estados Unidos, viaje como os americanos: na estrada em um motorhome

É mais simples alugar um veículo recreativo do que conseguir um táxi em Nova York. E a parte interna do "carro" é o sonho de quem já brincou de Playmobil


Toda vez que viajo com a minha mãe, a dona Célia, fico imaginando qual será a quantidade de malas. Pode ser uma noite ou três meses fora de casa: sempre parece que ela está de mudança.

E na minha longa vida de viajante (mais de 30 anos rodando o mundo), aprendi coisas valiosas.

Coma de tudo um pouco, desde comida de rua até a do restaurante que vai estourar seu cartão.

Fuja de grandes redes de hotéis, em geral impessoais e caras.

Fora do Brasil, tente ao menos iniciar a conversa na língua local – mesmo que sejam apenas três palavras.

E nunca, jamais, em hipótese alguma, viaje com mais de uma mala.

Confesso, porém, que viajei como a dona Célia gostaria, mesmo que sem a presença dela. No meu carro tinha geladeira, fogão, mesa de jantar e micro-ondas. Tinha pia. Uma não, mas duas. Chuveiro quente, cama queen size e outra de casal.

O chassi de um Ford E-350 com motor V8 puxava essa “casa” pelas estradas do Oregon, na Costa Oeste americana. E eu que pensei que viajaria por lá pilotando uma Harley-Davidson.

É mais simples alugar um RV (do inglês recreational vehicle ou veículo recreativo) do que conseguir um táxi em Nova York. Basta apresentar a carteira de habilitação brasileira, pagar as diárias e acompanhar a explicação de como funciona a casa sobre rodas.

“Para descarregar o esgoto, o senhor terá de abrir esse compartimento”, dizia o funcionário da Cruise America, uma das maiores operadoras de motorhomes do mundo.

Preferi focar a atenção na parte interna do veículo, que mais parecia o sonho de quem cresceu brincando de Playmobil.

Na hora de fechar o contrato, que já inclui o seguro, há dois opcionais: kit pessoal (toalha, lençol e travesseiro) e kit cozinha, com os utensílios.

O primeiro custa US$ 55 por pessoa e o segundo, US$ 100. A dica é fechar o pacote ainda no Brasil, pois os operadores conseguem um bom desconto.

Nunca se comprou tantos RVs

De acordo com a Associação da Indústria de RVs dos Estados Unidos, 472 mil novos veículos foram emplacados em 2017.

Um recorde do setor e aumento de 9,6% em relação a 2016. “Há oito anos que os números não param de crescer”, diz o presidente da entidade, Frank Hugelmeyer.

O desejo de consumo dos mais velhos também ganha espaço entre os jovens. Mesmo sendo só 31% da população, os millennials representam 38% das vendas de RVs.

Quando o motorhome se aproximou da escola dos meus filhos, senti como deve ser a vida de uma celebridade. Por 30 minutos, teve fila para visitar nossa casa.

Enquanto isso, eu navegava pelo app da Cruise America com as respostas das minhas dúvidas. E se furar o pneu? O aquecedor funciona com o carro desligado? O que fazer quando a água do chuveiro não descer pelo ralo? Posso viajar deitado na cama?

A primeira parada foi o Parque Estadual Champoeg, praticamente uma floresta encantada a uns 40 minutos ao sul de Portland.

São 75 vagas para RVs e poucas cabanas. Foi ali que, em 1843, o primeiro governo do estado do Oregon foi formado – época em que as charretes eram absolutas.

Além de trilhas para caminhada, ciclofaixas, parque para as crianças e pescaria, há sempre uma churrasqueira disponível. Tudo incluso na diária de US$ 34.

Estacione o veículo e conecte o cabo de energia elétrica e a mangueira de água. Dê bom-dia aos novos vizinhos e vá curtir a natureza.

O motorhome é a forma mais inteligente de acampar sem perrengues. A hora da refeição reforça isso: em vez de fogareiros de uma boca para cozinhar Miojo, meu fogão quatro bocas esbanjava um risoto.

Como os melhores pinot noir dos EUA são feitos no Oregon, nada melhor do que brindar à produção local.

No dia seguinte percorremos 112 quilômetros até Pacific City. No caminho, paramos na Sokol Blosser, vinícola fundada em 1971 por um casal de hippies que chegou ao local de RV (uma Kombi com um colchão).

Hoje a vinícola ocupa uma área equivalente a 120 campos de futebol. Uma moderna construção minimalista em madeira, vidro e concreto abriga um restaurante com área para degustação de vinhos, todos orgânicos.

É em Pacific City que fica a maior duna de areia da Costa Oeste. Do alto dos quase 80 metros de altura, dá pra ver o Cape Kiwanda, baía formada por rochas e piscinas naturais, e outro ângulo do Haystack Rock, um monolito rochoso de 100 metros de altura que emerge do mar.

Desça a duna e siga para a Pelican Brewery, cervejaria artesanal que fica à beira-mar.

À medida que o fim de semana ia terminando, algumas perguntas começavam a ter respostas.

Se o pneu furar não tente trocá-lo, chame o resgate (incluso no seguro). O aquecedor funciona bem demais. Se a água do chuveiro não desce, é porque o reservatório está cheio.

Sobre viajar deitadão na cama, prefiro continuar sem saber a resposta.

 

 

 

 
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