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Saiba como é e quanto custa morar em motor-home
Casas itinerantes custam a partir de R$ 50 mil


Motor-home do casal paulista Nivaldo e Arlene Baldo, montado num ônibus. A sala de estar e o ambiente de copa e cozinha são bem confortáveis - Guito Moreto

Há oito anos, o casal de professores Dilma Ribeiro e Alberto Gabriel, de Guaratinguetá (SP), trocaram de vez as estáticas vigas e colunas de concreto dos edifícios pelas itinerantes rodas de um motor-home. A história dos dois com as casas motorizadas começou há 21 anos — na época, eles precisavam rebocar sua residência de fins de semana... um trailer. Em 2004, compraram o motor-home que, desde 2005, é seu lar, doce lar (e, mais recentemente, do cachorrinho Adid também). Construído em chassi de caminhão, ele tem cerca de 12 metros quadrados de área interna.

— Não tenho necessidade de ter imóvel. Essa não é mais a vida que quero — diz Dilma, 59 anos, que, quando não está na estrada (ela é aposentada, mas Alberto ainda dá aulas), está “estacionada” no camping de Guaratinguetá.

Estivemos com Dilma num encontro de campistas (como os donos de motor-homes e trailers se chamam), em Miguel Pereira, interior do Rio. Eram cerca de 40 motor-homes e 80 pessoas. Dilma contou que já esteve em um desses encontros que tinha 370 veículos. Nessas ocasiões, eles aproveitam para, entre um passeio e outro pela cidade visitada, se confraternizar.

— As pessoas com espírito de campista gostam de fazer amizades. Mas ninguém tem que aguentar vizinho chato. Se você não gostou de quem está ao seu lado, sai de fininho e estaciona em outro lugar. É a grande vantagem em relação ao vizinho do apartamento — brinca o engenheiro aposentado Silvino Albuquerque Jr., 60 anos, morador do Flamengo, no Rio, que tem até garagem pra moto em sua casa itinerante.

Segundo estimativa da Associação Brasileira de Campismo (Abracamping), existem no país cerca de 1.800 donos de motor-homes e 2.000 de trailers. Pouco ainda, se comparado com os Estados Unidos, onde viajar em casa própria é opção de uma em cada 12 famílias proprietárias de automóveis.

Os motor-homes são montados em chassis de ônibus ou caminhão, van ou ainda num chassi-cabine. Os projetos são personalizados desde a planta interna até os acabamentos. São casas completas, com sala, quarto, cozinha e banheiro. E todos aqueles eletrodomésticos: fogão, geladeira, microondas, TV, ar-condicionado (em muitos casos, split). Assim como nos apartamentos modernos, tudo é desenhado para aproveitar cada centímetro e praticamente todos os móveis são multifuncionais. A mesa de jantar, por exemplo, quase sempre desce e, unida aos bancos, vira uma cama extra.

Um modelo bem econômico, montado em chassi de van ou mesmo kombi, sai em torno de R$ 50 mil; por R$ 600 mil ou mais, o veículo pode ter mordomias extras: o sonho é o limite.

Nivaldo e Arlene Baldo, donos de uma pequena empresa em Assis (SP), levaram a máxima a sério. Campistas desde 1994, já tiveram carreta-barraca, motor-home em chassi de van e, desde 2005, rodam pela América Latina num ônibus-casa com 20 metros quadrados de área interna, fora a “varanda” e sua segunda bancada de cozinha e TV:

— Fui tão minuciosa na decoração do motor-home quanto na da minha casa (a fixa). Sou bem exigente com qualidade de materiais — conta Arlene, que optou por uma cerâmica clarinha no piso, truque para ampliar o ambiente.


A rotina de quem cai na estrada sem sair de casa

Esqueça as reservas, os itinerários inflexíveis, os horários de check-in e check-out. Para quem tem um motor-home, seja ele a segunda ou a única casa, a liberdade é o grande atrativo. Os viajantes geralmente são casais acima dos 50 anos, com filhos já crescidos e estabilizados financeiramente. Muitos são aposentados e, assim, podem fazer viagens mais longas.

Silvino Albuquerque Júnior, que se aposentou há pouco mais de um ano, faz planos para viagens ao exterior com seu motor-home. Até agora, o máximo de tempo que ficou na estrada foi 30 dias.

— Roteiros? Faço há dez anos, já tenho tudo em mente. Sonho com isso. Praticamente já conheço os lugares antes de ter ido — brinca o carioca.

Nivaldo e Arlene Baldo já ficaram dois meses viajando de motor-home, mas planejam viagens mais longas. Se sentem saudades da outra casa? Ele diz não; ela diz sim.

— É a minha base. E onde estão os meus filhos.

Para rodar centenas de quilômetros com autonomia, os motor-homes têm um painel de controle de energia elétrica, gás de cozinha, água e esgoto. É possível reabastecer esse itens nos campings ou em postos de gasolina. O banheiro funciona como o de uma casa — os dejetos ficam num compartimento e são despejados em lugares apropriados.

— A gente só lamenta que poucas cidades do país tenham campings. Só precisamos de água e luz, isso pode ser cobrado — apela a dona de casa Ily Cardoso, conhecida pelos campistas como “Mãe”.

A manutenção equivale à de um carro de passeio — o motor-home deve ser vistoriado todo ano pelo Detran, como qualquer veículo. Mas é preciso considerar o gasto com estacionamento: a mensalidade da garagem para um motor-home sai de R$ 250 a R$ 300; a diária nos campings do país variam de R$ 10 a R$ 35.

Se você se animou a ter uma casa caramujo, saiba que, no caso dos motor-homes pequenos, basta que o condutor tenha habilitação na categoria B, a comum. Já se o veículo tiver mais de seis toneladas, é necessário que seja a C ou a D.

 

 

 

 
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