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Ícone nos anos 70, 'Motorhome' americano mantém legião de fãs
Modelos antigos restaurados hoje ganham upgrades como GPS


Modelo foi lançado em 1973 e até hoje existem mais de 8 mil exemplares no mundo


Nos anos 70, o engenheiro americano Robert Müller parecia um homem à frente de seu tempo: como funcionário da fabricante de peças para a indústria aeroespacial Hamilton Standard, ele trabalhava no Johnson Space Center, no Texas, e fez parte da equipe que desenvolveu o kit portátil de sobrevivência usado pelos astronautas da missão Apollo na Lua.

Não é de se espantar que agora, aposentado há 12 anos, Müller tente reviver um pouco daquela época. E a forma como escolheu fazer isso também remete a um ícone dos anos 70: morar e viajar em um autêntico trailer GMC Motorhome de 40 anos de idade.

O Motorhome foi uma sensação quando a General Motors o introduziu no mercado, em 1973, e continua atraindo uma pequena multidão de fãs ardorosos tanto em seu país natal, os Estados Unidos, quanto em outros cantos do mundo, 37 anos depois de ter sua produção encerrada.

Essa devoção a um modelo de carro pode ser comum nos círculos de colecionadores, mas é bem rara com relação aos chamados veículos recreativos (RV, na sigla em inglês).


Modelos antigos restaurados hoje ganham upgrades como GPS

Assim como acontece com outros carros e motos clássicos, ter um GMC Motorhome é uma espécie de passaporte para um seleto clube, cujos membros se unem pelo desejo comum de manter em funcionamento suas máquinas temperamentais.

Conhecidos como "GMCers", os donos desses trailers são, em geral, aposentados que gostam de viajar em seus veículos durante semanas ou meses seguidos.

Foi essa comunidade que convenceu Müller a manter não apenas um, mas dois Motorhomes, um para cada endereço que frequenta: em Sydney, na Austrália, onde mora com a namorada, Helen, e nos Estados Unidos, por onde o casal viaja nos meses do verão americano.

Eles compraram seu primeiro GMC em 2007, depois de incansáveis roteiros a bordo de uma Harley-Davidson. Como todo bom GMCer, Müller deu um nome para a aquisição australiana: "Blue Streak".

O segundo GMC, apelidado de "Double Trouble", veio em 2008, quando o engenheiro comprou um modelo às cegas nos Estados Unidos. Por uma incrível coincidência, o carro tinha um número de série dois dígitos abaixo do "primo" australiano, e ambos foram restaurados pela fabricante de trailers Avion.


Traços arrojados


O interior original do Motorhome vinha equipado com TV, micro-ondas e aspirador embutido

Para os padrões dos RVs, o Motorhome tem um design suave e até sensual. Mas também tem traços arrojados sob o corpo tubular. O segredo por trás de sua altura baixa, de sua dirigibilidade e da maneira como ele desliza nas estradas está no chassis, que usa a cadeia cinemática das rodas dianteiras do sedã Oldsmobile Toronado e um sistema inovador de suspensão pneumática traseira nas quatro rodas que dispensou eixos cruzando o veículo.

O piso fica a apenas 40,6 cm do solo, e o centro de gravidade baixo ajuda o GMC a ser dirigido com uma elegância surpreendente.

O motor a gasolina V8 de 7,5 litros, também vindo da Oldsmobile, oferece bastante torque, e a boa aerodinâmica ajuda o GMC a percorrer 3,9 quilômetros por litro de combustível – melhor (ou menos pior) que os 2,5 quilômetros por litro típicos de outros trailers.

A carroceria do GMC – composta de uma superestrutura de alumínio e forrada por lâminas de alumínio – era mais inspirada em aviões do que nos outros RVs da época, a maioria consistindo em uma caixa de madeira montada em um chassis de caminhão. O para-brisas panorâmico e as grandes janelas laterais também chamavam a atenção nas estradas.

O Motorhome começou a ser vendido nos Estados Unidos em 1973 por US$ 13,6 mil, mas passou dos US$ 40 mil ao final de sua produção, em 1978, dependendo do comprimento do modelo (7 ou 8 metros) e dos itens opcionais.

A versão mais equipada vinha com ar-condicionado, aquecimento, forno micro-ondas, fogão a gás, televisão, aspirador de pó embutido, rádio AM/FM, toca-fitas e comunicação por rádio – tudo funcionando graças a um gerador elétrico de 6 mil watts a bordo.


Jovem e livre


Historiador Bill Bryant tem seu GMC desde 1976, com o qual já rodou 320 mil km

Sua lataria resistente à corrosão e seus devotos seguidores fizeram o veículo conseguir uma estatística de sobrevivência bastante respeitável. Dos 13 mil GMC Motorhomes fabricados, 8.450 estão registrados em um site administrado por John Shotwell, de Archbold, no Estado americano de Ohio.

Ele e a mulher, Pat, compraram seu modelo 1976 há nove anos. "Sempre quis ter um, desde que foi lançado", conta Shotwell, de 74 anos. "Nossa viagem mais longa até hoje foi à região dos Grandes Lagos (situada entre os Estados Unidos e o Canadá), onde percorremos 3,5 mil quilômetros em duas semanas". O casal agora está reformando o interior do trailer.

O site de Shotwell, conhecido entre os GMCers como The Registry, não informa o status operacional dos veículo. Mas estima que milhares de Motorhomes ainda estejam rodando, segundo Bill Bryant, historiador do clube GMC Motorhomes International.

Aposentado após anos de serviço à empresa IBM, Bryant e sua mulher, Nita, já documentaram mais de 320 mil quilômetros ao longo de 31 anos em um modelo GMC de 1976. O trailer foi atualizado com componentes fáceis de encontrar no mercado, como injeção de combustível e suspensão pneumática traseira.

A maioria dos Motorhomes ainda existentes continua nos Estados Unidos e no Canadá, mas segundo o The Registry, países como Austrália, Alemanha, Holanda e Grã-Bretanha também possuem algumas dezenas, cada um.

Em Veldhoven, na Holanda, Ruud Ledeboer reconstruiu o interior de um GMC 1977 adquirido em 2007. Ele e a mulher, Thea, já passara um mês viajando com o veículo.

"O GMC mantém a gente jovem e livre", define Ledeboer, de 59 anos, dando uma rápida pista sobre o duradouro apelo do Motorhome.

 

 

 

 

 

 
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