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Brazil Motorhome Show reúne casas móveis de até R$ 1 Milhão

Elaine Xavier, de 52 anos, viaja para a praia de Maranduba (SP) e não se preocupa em reservar uma pousada. Quando visita os parentes no interior de São Paulo, estaciona seu automóvel ao lado da casa da família – dentro dele, cozinha, dorme, lava roupa, escuta música, assiste aos programas de TV e curte um DVD. Sim, tudo sobre as rodas do ônibus Mercedes-Benz 371, que transformou em um motorhome – espécie de casa-móvel. Ela e o marido, Márcio, de 62 anos, compraram o veículo em 2011 e investiram R$ 850 mil para a empresa Neway equipá-lo como uma residência.

Essa é uma das atrações do Brazil Motorhome Show, feira que ocorreu em Jundiaí, interior de São Paulo. É o primeiro evento de grande porte do país a reunir expositores de trailers e motorhomes. Na parte externa do Parque da Uva, palco do encontro, os campistas reservam um espaço e abrigam-se em barracas durante o fim de semana. Os visitantes podem conferir de unidades portáteis, acopladas a pequenas caminhonetes, até veículos como o de Elaine, com interior luxuoso e espaço interno generoso. Esta unidade da Mercedes-Benz 371 é a mais completa e cara do evento. “Não quero vendê-la, porque consegui deixar tudo com a minha cara. Mas ela vale cerca de R$ 900 mil”, diz a proprietária. Ao entrar no ônibus de Elaine, o primeiro cômodo é a sala de estar, com um sofá de quatro lugares (e cintos de segurança), televisão de 42 polegadas, ar-condicionado de 36.000 BTU/s e microcaixa de som potente. A mesa retangular, cercada de dois bancos almofadados, pode ser abaixada para tornar-se o estrado de uma cama.

Acima dela, há a outra parte do beliche. Se quiserem ler um livro, Elaine e o marido sentam-se nas poltronas de couro e iluminam as páginas com um abajur – que é fixo na mesa, para não tombar nem com freadas bruscas. A cozinha também é completa: pia com torneira de água potável, micro-ondas, fogão, máquina de lavar roupa, armários para a louça e um aspirador de pó especial: a mangueira estica e alcança até doze metros, para chegar à cabine do motorista do ônibus. O luxo também está no banheiro, com vaso sanitário, torneira, box para tomar banho e secador de cabelo fixo à parede. Na hora de dormir, há ainda um quarto de casal de 3,5 m x 3,5 m. “Virou um QG para os meus netos. É uma opção muito saudável de lazer, porque o motorhome aproxima a família”, conta Elaine. A unidade é autossustentável, por contar com geradores de energia e placas solares, no teto do ônibus. E tudo é higiênico: o reservatório de água potável, servida (chuveiro) e detrito de banheiro não se conversam. Um sistema de LED notifica quando o nível de um deles estiver baixo.

O setor de motorhome no Brasil ainda é pequeno, já que o governo não financia residências itinerantes. O deputado Tiririca (PR-SP) elaborou uma proposta para o projeto “Meu Trailer, Minha Vida” – referência ao programa federal “Minha Casa, Minha Vida”, para a população de baixa renda. O político e ex-palhaço pretende estimular o setor e ajudar a classe circense, que vive nessas habitações. Atualmente, há aproximadamente vinte marcas que transformam veículos em casas-móveis. Por ano, calcula-se que sejam fabricadas 200 unidades – nos Estados Unidos, o índice chegou a 270 mil em 2012. Os dados são de Marcus Pinto Matheus, dono da Motortrailer, empresa de motorhome existente desde 1972 em Pirassununga (SP). “O público que mais movimenta o setor são os aposentados, que querem aproveitar para viajar com o conforto da casa”, diz o proprietário.

Na Motortrailer, modelos da Mercedes-Benz, Dodge, IVECO, Ford e Renault são equipados com casas de 6,90 metros, 7,80 metros ou 8,50 metros de comprimento. Uma mesma unidade pode variar de R$ 239 mil a R$ 450 mil, dependendo dos itens opcionais, como parte hidráulica, sistema de calefação e placas solares. “As tecnologias são importadas, mas desenvolvemos um diferencial produzido aqui: computador de bordo que mostra a temperatura e o nível das baterias, da caixa d’água e da energia externa”, conta Marcus. Os motorhomes da empresa também contam com vasos sanitários ecológicos, capazes de dar de seis a oito descargas com somente um litro d’água.

Mas motorhome não é garantia de luxo – há quem viva no aperto. O menor veículo exposto na feira é o Camper Duaron, montado em caminhonetes como a Volkswagen Saveiro e a Ford F-250. Com 6 m² de área, essa modalidade de casa-móvel é a mais barata da feira, orçada em R$ 31 mil (sem o carro). Os dez primeiros compradores terão desconto e poderão equipar o veículo por R$ 25 mil. Dentro, o banheiro é químico e um saco de zíper, quando aberto, vira um box. Para instalar a unidade, são necessários 30 minutos. Com a parte elétrica, meio dia na fábrica. São produzidas, em média, 50 unidades por ano.

A bordo de um motorhome, há quem organize expedições históricas. É o caso de Tarcísio Tadeu, publicitário de 59 anos, que possui uma Mercedes de 1977 e viaja com o Clube dos Amigos Viajantes (instituição sem fins lucrativos). Na segunda-feira, ele partirá para o Uruguai e dirigirá por 700 km durante o dia, por um mês. À noite, estacionará seu motorhome em postos de gasolina, para descansar. O veículo possui correntes nas rodas, para enfrentar terrenos de lama. “Também tenho uma Land Rover que puxa minha canoa de 170 anos. Vou fazer uma viagem pelo rio São Francisco, junto com quatro amigos. Vão ser 45 dias de navegação, parando em comunidades ribeirinhas”, conta Tarcísio.

Fonte: www.revistaautoesporte.globo.com

 

 

 

 

 
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